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Angélica Santana

Angélica é proprietária e diretora do Centro Educacional Sagrado Coração (Casinha Feliz), instituição que abriga em suas dependências o Cine-teatro Reginaldo Carvalho e o Memorial Senhor do Bonfim, que reúne os principais documentos históricos do município. Atuou como diretora de cultura no governo de José Leite, quando foi inaugurado o Centro Cultural Ceciliano de Carvalho.

A entrevista com a gestora foi realizada no dia 1º de julho, no Centro Educacional Sagrado Coração, e teve duração de 42 minutos.

Produção no Sertão: Faça um resumo da sua atuação frente ao órgão de cultura que administrou.

Angélica Santana: Como diretora de cultura, eu só fiquei um ano e meio. Foi na época do prefeito Zé Leite. Saí porque eu via que as coisas não funcionavam.

 PS: Você é responsável pela inovação na decoração do São João de Senhor do Bonfim?

AS: Sim, na gestão de Antoninho Carvalho, o mesmo prefeito que fez o Centro Cultural. Eu fiz a primeira decoração iluminada. Fui procurada pelo prefeito e sua esposa para bolar uma decoração diferente. Deu certo, não ficou tão rica porque foi a primeira vez. As pessoas se lembram daquela decoração e ainda hoje me falam sobre ela. Daí, com o tempo, fui melhorando e fiz a decoração por 12 anos; passando pelas gestões de Antoninho Carvalho, por dois anos; Cândido Augusto, por dois anos e depois Zé Leite, por um ano e meio, período em que eu coordenei o São João da cidade.

PS: A Casinha tem um papel fundamental para a cultura bonfinense. Quais os principais projetos implementados?

AS: Eu desenvolvo um bom trabalho cultural aqui. Tenho uma preocupação com isso, apesar das dificuldades, porque cultura depende de recursos que são difíceis de conseguir. Todo ano desenvolvemos um trabalho cultural, como desfiles e três festivais, realizados com ajuda e coordenação de Reginaldo Carvalho. O teatro que temos e ainda está inacabado tem o nome de Reginaldo, por ser um artista representativo de Senhor do Bonfim. Hoje, sinto dificuldade em terminar esse teatro por causa das dificuldades que uma escola particular tem em conseguir recursos públicos. Nós temos também em nosso poder o Memorial Senhor do Bonfim, que reúne documentos doados pelas famílias e hoje tem lugar de destaque aqui na escola. Nós já temos o CNPJ do Memorial e estamos fazendo um projeto para receber verba para realizarmos um trabalho social. O teatro pertencerá ao memorial, sendo desvinculado da escola, o que não o impedirá de receber verba do Estado. Ele será um espaço da comunidade. Nós já disponibilizamos o espaço para algumas reuniões da prefeitura e para artistas, a quem nós também pedimos ajuda, porque não dá para se ter um ambiente cultural sem a participação dos artistas.

 PS: A prefeitura apoia a manutenção do Memorial?

AS: Não, não consegui ajuda nenhuma.  O Memorial é estranho para muita gente, inclusive para as autoridades, e eles são quem poderiam ajudar, deveriam ter a iniciativa. Uma vez eu fui procurada por uma secretária de cultura para vender o material do Memorial. Mas não posso vender aquilo que não é meu, eu apenas guardo esse material e cuido dele. Nós sabemos que é preciso uma manutenção desse material. Reginaldo conseguiu uma pessoa para olhar o que poderia ser feito para recuperar o material, mas ela me disse que seria caríssimo. Tínhamos uma menina que cuidava, mas chegou a um ponto em que eu não podia mais pagar. Inclusive, o trabalho [a pesquisa de Mestrado] de Reginaldo foi todo em cima dos jornais e ele disse: “Angélica, isso tem um valor que ninguém pode imaginar”.

PS: Vocês pensam em realizar ações de manutenção no Memorial?

AS: Quando eu incluir o teatro ao Memorial, farei um pedido à Câmara, prefeitura ou secretaria para disponibilizar uma funcionária que trabalhe, pelo menos, um turno; que a própria pessoa faça alguma pesquisa e que possa desenvolver, divulgar, pegar material. Muitas pessoas morreram e têm materiais que estão sendo perdidos, pois são deixados de lado ou a família joga fora.

PS: Como se deu a construção do teatro que a escola abriga?

AS: A construção foi realizada com recursos próprios. Só temos o espaço, porque a construção que foi muito cara. Não temos cadeira, nada. Mas pretendemos continuar esse processo.

PS: Você atuava na diretoria de cultura na época de inauguração do Centro Cultural Ceciliano de Carvalho. Você lembra o que funcionava no local antes de se tornar um espaço de cultura?

AS: Não. Na minha época, era Centro Cultural mesmo. O que não tinha era dinheiro para se movimentar a coisa, entendeu? A gente sentia dificuldade, porque a [Diretoria de] Cultura era agregada à [Secretaria de] Educação, mas nunca a Educação disponibilizou recursos. O Centro Cultural é um espaço de muita importância, mas eu acho que gestão nenhuma deu ao Centro Cultural o valor merecido. Eu sonhava com um espaço que ele tem embaixo, um porão que guarda sucata de decoração. Pensava em ajustar para fazer um espaço para oficinas. Eu acho que o que Bonfim precisa é de alguém que alavanque essa área. Aqui tem muito artista, mas precisa de alguém que saia para verificar como funciona lá fora para tomar como base e implantar aqui em Bonfim.

 PS: No dia da inauguração do Centro Cultural, houve uma manifestação dos artistas bonfinenses. Você recorda por que isso aconteceu?

AS: Eles queriam recurso. Aconteceu na última etapa de minha estadia na prefeitura. Eles queriam tomar conta do Centro Cultural. Achavam que o recurso que vinha para o Centro, que não havia na verdade, deveria ser gerido pelos artistas, bem como o próprio órgão. O prefeito não aceitou, até mesmo por causa de interesses partidários, pois os artistas eram de esquerda e o prefeito de direita. Houve uma repercussão, mas não deu em nada. Na época eu nem tava aqui, tinha viajado, quando eu voltei já tinha passado. Então, eu não sei detalhes.

PS: Você acompanha o Centro Cultural atualmente? De que forma avalia o espaço?

AS: A escola apresenta o ballet no mês de dezembro, quando o Centro Cultural cede o espaço. Esse é o único contato que tenho. Só o que melhorou foi a instalação de ar-condicionado, porque as cadeiras foram postas na minha época. Inclusive, são as cadeiras do antigo Cine-teatro São José, que o prefeito comprou e reformou algumas delas.

PS: De que forma avalia a Secretaria Municipal de Cultura hoje? Compare com o período em que atou.

AS: Eu faço a mesma avaliação que todos estão fazendo. Acho que Bonfim merece coisa melhor, até melhor do que eu fazia. Nós precisamos melhorar, Bonfim vem piorando, é o caso do São João. Eu acho que o secretário de Cultura precisa saber o que uma secretaria de cultura pode mesmo fazer.

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